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Brasil Caso Henry

Babá narrou tortura de Henry em tempo real à mãe e polícia diz que ela sabia da rotina violenta e protegeu assassino

O alerta foi feito por meio de mensagens de WhatsApp cerca de um mês antes da morte.

08/04/2021 15h19
Por: Redação Fonte: G1
Babá narrou tortura de Henry em tempo real à mãe e polícia diz que ela sabia da rotina violenta e protegeu assassino

O delegado Henrique Damasceno, da 16ª DP, informou hoje que a babá de Henry Borel, morto no dia 8 de março, avisou à mãe do menino, Monique Medeiros, da “rotina de violência” que o garoto sofria. O alerta foi feito por meio de mensagens de WhatsApp cerca de um mês antes da morte.

Damasceno diz que não há dúvidas da autoria do crime e que a mãe do menino “protegeu o assassino”, referindo-se ao vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), investigado pelas agressões.

O casal foi preso hoje e declarado oficialmente investigado. Segundo a polícia, eles responderão por homicídio duplamente qualificado, com emprego de tortura e uso de recurso que causou impossibilidade de defesa da vítima. A defesa de Jairinho e Monique entrou com um pedido de habeas corpus.

A polícia não informou, no entanto, a dinâmica das agressões que levaram à morte de Henry no dia 8 de março, quando o garoto chegou morto ao hospital. Os investigadores defendem que Monique foi conivente com o crime supostamente cometido por Jairinho, mas não sabem responder se teria efetivamente envolvimento nas agressões. Os delegados afirmaram que as investigações não foram concluídas e relataram a existência de laudos pendentes.

“A babá fala que o Henry relatou a ela que o padrasto pegou pelo braço, nos termos escritos, deu uma banda [rasteira], chutou. No momento ficou bastante claro que houve uma lesão ali. Na própria continuidade [da conversa], a própria babá fala que o Henry estava mancando. Que quando foi tomar banho, ele [Henry] não deixou lavar a cabeça porque estava com dor. É óbvio que se trata de uma prova absolutamente relevante”, disse ele, em referência às mensagens apreendidas no celular de Monique.

 

Segundo o delegado, a babá também “relatou que Henry era ameaçado pelo padrasto: ‘Se você contar, eu vou te pegar, você está prejudicando a vida da sua mãe'”. Damasceno acrescentou: “Não resta a menor dúvida em relação aos elementos que nós temos sobre a autoria do crime”.

Investigados por homicídio e tortura

Damasceno diz que Jairinho e Monique responderão por homicídio duplamente qualificado por emprego de tortura bem como por emprego de recurso que causou impossibilidade de defesa da vítima. Questionado sobre uma suposta sessão de tortura de Jairinho contra o menino, a polícia ressaltou as extensões e multiplicidades de lesões, diversas e significativas.

O delegado acrescentou ainda que a combinação das mensagens obtidas no celular da mãe – que traziam menções específicas a Jairinho – com o laudo feito após a morte de Henry apontam para o que ele classificou como “rotina de agressões”. “Ficou muito evidenciado pelos prints [de mensagens] uma rotina de sofrimento, uma rotina de agressão. E o laudo que aponta a causa da morte mostra uma enorme quantidade de lesões, com grande extensão, o que causou o óbito”, detalhou ele.

Para o delegado, a versão de família harmoniosa e com boa relação dita por Monique e Jairinho é uma “farsa”. “Ficou muito claro que toda aquela relação de família harmoniosa nada mais era que uma farsa. A mãe não afastou o agressor. Ela tem obrigação legal, não se trata apenas de uma questão moral”, disse o delegado.

Para Damasceno, não há sinais de que Monique deu sua versão sob coação por parte de Jairinho. “Ela [Monique] conseguiu prestar um depoimento de mais de quatro horas e apresentar uma versão fantasiosa protegendo o assassino do próprio filho”, afirmou Damasceno. “Ela [Monique] teve inúmeros momentos em que ela poderia falar conosco, o depoimento foi bastante longo, ela se mostrou bastante à vontade em vários pontos dele, se eu imaginasse qualquer possibilidade de coação [por parte de Jairinho] eu jamais teria pedido a prisão dela.”

Pedido de habeas corpus

A defesa do médico e vereador Dr. Jairinho e da professora Monique Medeiros informou que irá entrar com um pedido de habeas corpus para que o casal seja solto.

Após cerca de seis horas na delegacia da Barra da Tijuca, Dr. Jairinho e Monique deixaram o local ao grito de “assassinos” por populares. O advogado do casal, André França Barreto, reafirmou que não houve agressão e que o padrasto e mãe da criança são inocentes.

“Eles continuam com a mesma versão, com segurança e tem certeza de que são inocentes e de que são honestos. Desde o início eles têm se demonstrado colaborativos, se apresentando sempre que solicitados, inclusive espontaneamente, prestaram 12 horas de depoimento de maneira objetiva. Vamos entrar com todas as medidas judiciais cabíveis para encerrar essa situação que ao nosso ver é totalmente descabida”, afirmou o advogado.

Celulares pela janela

Segundo a polícia, Monique Medeiros e Jairinho tentaram se desfazer dos celulares deles antes de serem presos na manhã de hoje, na casa de uma tia do parlamentar em Bangu, no Rio de Janeiro, um endereço não informado às autoridades. “Quando nós adentramos na residência eles tentaram se desfazer dos celulares atirando pela janela. Obviamente nós conseguimos resgatar esses celulares mas houve uma tentativa de dispensá-los”, afirmou Ana Carolina Medeiros, delegada assistente do 16º DP.

Além disso, eles foram encontrados em um endereço não informado à polícia. “O casal foi localizado em endereço diverso de suas residências. A mãe estaria residindo em Bangu com os seus pais e o padastro também estariam com os seus pais, mas eles foram localizados na residência de uma tia do padastro do menino”, informou Medeiros.

A prisão

O médico e vereador Dr. Jairinho e Monique Medeiros foram presos na manhã de hoje na casa de uma tia do parlamentar, em Bangu, na zona oeste da cidade. Os dois foram levados para a 16ª DP (Barra) onde prestaram novos esclarecimentos, por quase 4 horas, aos agentes.

Segundo investigadores, o pedido de prisão aconteceu pelo casal atrapalhar investigações e ameaçar testemunhas.

Padrasto e mãe da vítima, o casal foi preso na casa de uma tia do político em Bangu, zona oeste do Rio. Os mandados de prisão temporária por 30 dias foram expedidos pelo 2º Tribunal do Júri. A polícia investiga o crime de homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e sem chances de defesa à vítima.

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