Sábado, 23 de Outubro de 2021
83 9 9869-1587
Brasil Caso Lázaro

Fazendeiro acusado de ajudar Lázaro tem liberdade negada pela Justiça

Investigação apontou que idoso abrigou Lázaro em sua propriedade.

06/07/2021 16h13
Por: Redação Fonte: G1
 Fazendeiro acusado de ajudar Lázaro tem liberdade negada pela Justiça

O desembargador Ivo Favaro negou um pedido de liberdade para o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista, de 73 anos, denunciado por ajudar Lázaro Barbosa a fugir da polícia em Cocalzinho de Goiás. Lázaro morreu em confronto com policiais, após ser procurado por 20 dias por uma força-tarefa de 270 policiais.

O advogado de defesa do fazendeiro disse que o pedido de habeas corpus (HC) foi feito por um anônimo que não faz parte de sua equipe. A defesa sempre negou envolvimento do cliente com Lázaro. 

O desembargador negou o pedido porque a pessoa apresentou apenas o número de Registro Geral (RG) do fazendeiro e deixou de apensar os dados da investigação. "Constata-se que o impetrante juntou apenas seu documento pessoal, o que impede analisar o presente", escreveu o magistrado.

Elmi Caetano está preso desde 24 de junho. A defesa disse que tem um pedido de liberdade a ser analisado, que foi feito em sigilo.

"Friso não ser ônus do julgador, mas do impetrante, anexar a documentação para instruir o feito", disse o desembargador na decisão.

De acordo com a sentença, publicada em 3 de julho, o autor do pedido alegou que dispensou demais informações porque "o que é público e notório dispensa comprovação".

Denúncia

A promotora de Justiça Gabriela Starling Jorge Vieira de Mello denunciou o fazendeiro por favorecimento pessoal, que é o crime de ajudar na fuga, e por posse ilegal de arma de fogo. A denúncia ainda não foi aceita pelo Judiciário para que ele se torne réu em ação penal.

Gabriela Starling também requisitou a instauração de investigação complementar do filho de Elmi Caetano, pois há indicativos de sua participação na fuga de Lázaro.

A denúncia foi oferecida à Justiça depois de a Polícia Civil indiciar Elmi Caetano por favorecimento na fuga e posse irregular de arma de fogo. O caseiro que foi preso junto com ele pela mesma suspeita foi inocentado e liberado da prisão.

O MP-GO disse que "ficou claro que ele [caseiro] não tinha domínio, influência ou mesmo consciência clara a atuação dolosa e espúria praticada pelo seu empregador".

Pistas falsas

Dias antes de ser preso, o fazendeiro abordou o secretário de Secretário Segurança Pública, Rodney Miranda, durante buscas para dar pistas falsas sobre o paradeiro do fugitivo.

Em buscas por matas da região, em 19 de junho, o secretário contou que foi abordado por ele na porta da fazenda. O homem relatou que Lázaro teria fugido para outra propriedade da região, enquanto o abrigava na sua casa.

"Quando eu voltava, um senhor nos parou na porta de uma fazenda, era o Elmi Caetano, me falando que o Lázaro tinha passado na propriedade dele, amassado uma cerca e que estava na propriedade vizinha", contou Miranda ao Podcast do Fantástico.

Seis dias depois do encontro, o secretário voltou à região, em 24 de junho, para prender duas pessoas suspeitas de ajudar a fuga. Chegando ao portão da fazenda, Miranda relata que se lembrou do local e do fazendeiro.

"No dia da prisão [24], quando estávamos indo para lá, eu entrei no portão e falei: ‘Opa. Eu sei quem é esse sujeito, é o cara que me procurou'. Ele estava fazendo uma contrainformação ali para sentir, e possivelmente, para 'vazar' com o sujeito", ressaltou.

O secretário explicou que a morte de Lázaro não encerra todas as investigações sobre o caso.

"São 30 crimes que são de autoria confirmada dele. Temos oito em aberto, já com todos os indícios que foi ele que cometeu. Temos agora que ver se ele estava indo sozinho, se tem algum coautor nesses crimes ou algum mandante", disse.

Relação de proximidade

O depoimento de um major da PM relata que o caseiro revelou uma relação de proximidade entre o fazendeiro e a família de Lázaro. O patrão teria prestado auxílio financeiro aos familiares quando o irmão de Lázaro morreu.

A mãe e o tio do fugitivo já trabalharam para o fazendeiro. No dia em que a polícia conseguiu entrar na casa, um militar viu o nome do tio de Lázaro escrito com tinta numa parede da residência.

Leia também:

Quase 500 policiais militares, civis e bombeiros se recusaram a receber vacinas contra a Covid-19 na Paraíba

Hospital da Paraíba está há três dias sem registrar nenhuma morte por Covid-19

Câmeras registram assalto em depósito de gás e criminosos agredindo funcionários, na Paraíba

Atitude de policiais em aniversário de criança com câncer que sonha em ser PM mobiliza outros colegas, na Paraíba

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias