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Prevent omitiu Covid nas mortes de médico e da mãe de Luciano Hang

Prontuários indicam que ambos tomaram remédios sem eficácia contra a doença.

22/09/2021 15h29
Por: Redação Fonte: G1
Prevent omitiu Covid nas mortes de médico e da mãe de Luciano Hang

A Prevent Senior omitiu no atestado de óbito que o médico Anthony Wong, morto em 15 de janeiro deste ano em São Paulo, faleceu em decorrência de Covid. A operadora de saúde também não informou no documento que Regina Hang, de 82 anos, mãe do empresário Luciano Hang, dono da Havan, morreu em 4 de fevereiro após complicações relacionadas ao coronavírus.

Os prontuários de Wong e Regina mostram que os dois foram internados no Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Senior, e acabaram medicados com o chamado "kit Covid", série de medicamentos sem comprovação científica na prevenção ou tratamento da doença. A Prevent, por meio de nota, informou que por "limitações éticas e legais não pode fornecer ou confirmar informações de pacientes e de seus parentes" (veja nota abaixo).

Na certidão de óbito de Wong, obtida pela GloboNews, consta que o pediatra morreu de choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes mellitus, e não faz menção à Covid. Quando Wong morreu, o Sancta Maggiore não informou a causa da morte à imprensa.

No atestado de óbito de Regina Hang, a Prevent também não menciona o coronavírus: disfunção múltipla de órgãos, choque distributivo refratário, insuficiência renal crônica agudizada, pneumonia bacteriana, síndrome metabólica e acidente vascular cerebral isquêmico prévio. O filho, Luciano Hang mesmo disse

A revista Piauí divulgou nesta terça-feira (21) reportagem para revelar que o pediatra e toxicologista Wong, que era defensor do tratamento precoce contra Covid, foi internado em 17 de novembro de 2020 no hospital após o médico apresentar sintomas de Covid-19 havia oito dias.

"Um exame de PCR feito no hospital confirmou a presença do Sars-CoV-2'', informa trecho do documento das mais de 2 mil páginas do prontuário médico de Wong.

A Piauí destacou que Wong autorizou ser medicado com o “kit covid” da Prevent Senior; e que o médico recebeu outros tratamentos como a inalação de ''heparina e metotrexato venoso'' - medicamentos sem eficácia comprovada para Covid. Além disso, o médico também o fez “20 sessões de ozonioterapia retal’’. E vinha "vinha fazendo uso de hidroxicloroquina''.

Wong foi atendido durante a internação pela colega médica Nise Yamaguchi, que, segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, pertence ao chamado “gabinete paralelo” do governo federal.

De acordo com os prontuários, Wong também recebeu a visita Pedro Benedito Batista, diretor-executivo da Prevent. Nesta quarta-feira (22) o executivo se recusou a informar a CPI a causa da morte de Anthony Wong.

Na semana passada, a Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19, segundo dossiê ao qual a reportagem teve acesso (saiba mais abaixo). O diretor da Prevent, Pedro Benedito Batista Júnior, negou nesta quarta-feira, durante a CPI da Covid, que tenha ocultado as mortes.

O prontuário de Regina Hang, mãe de Luciano Hang, dono da empresa varejista Havan, mostra que ela foi medicada com o chamado ''kit covid'', com “azitromicina, hidroxicloroquina e outras medicações.” O Sancta Maggiore também não havia informado a causa da morte da idosa à imprensa à época.

No quinto dia de internação, ainda segundo o prontuário, Regina passou por sessão de ozonioterapia, uma prática que é proibida pelo Conselho Federal de Medicina, exceto em pesquisas experimentais autorizadas pela comissão de ética em pesquisa e em instituições credenciadas.

Segundo a Conep, não havia nenhuma autorização de pesquisa para a Prevent. Regina Hang morreu um mês depois de dar entrada no hospital, no dia 2 de fevereiro.

Neste vídeo gravado pelo empresário Luciano Hang - filho de Regina - ele reafirma que a mãe morreu de Covid e lamenta o fato dela não ter feito um tratamento preventivo, antes de pegar o vírus, o que também não tem eficácia comprovada.

Na certidão de óbito de Regina a Covid não aparece na causa da morte. No documento consta: disfunção múltipla de órgãos, choque distributivo refratário, insuficiência renal crônica agudizada, pneumonia bacteriana, síndrome metabólica e acidente vascular cerebral isquêmico prévio.

O plano de saúde Prevent Senior ocultou outras mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19.

A pesquisa foi divulgada e enaltecida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), como exemplo de sucesso do uso da hidroxicloroquina . Ele postou resultados do estudo e não mencionou as mortes de pacientes que tomaram o medicamento.

A CPI da Covid recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent. Segundo o dossiê, o estudo foi um desdobramento do acordo.

O que diz a Prevent

A Prevent Senior respondeu que, por limitações éticas e legais, não pode fornecer ou confirmar informações de pacientes e de seus parentes.

Mas a Prevent informou que, apesar disso, não houve fraudes ou omissões nos atestados de óbito.

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