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Surto de lesões que provocam coceira é causado por mariposas, diz Sociedade Brasileira de Dermatologia

Cerdas do inseto foram encontradas em imagens feitas por meio de microscópio. Esse material, segundo a nota técnica, pode permanecer na pele por dias e até semanas, causando a dermatite.

09/12/2021 07h19 Atualizada há 7 meses
Por: Redação Fonte: G1PE
Surto de lesões que provocam coceira é causado por mariposas, diz Sociedade Brasileira de Dermatologia

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu uma nota técnica, nesta quarta-feira (8), confirmando a hipótese de que uma espécie de mariposa causou o surto de lesões que causam coceira, registradas em ao menos 21 cidades pernambucanas. Esta também é a hipótese considerada pela Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife (veja vídeo acima).

A nota técnica é assinada pelos médicos Cláudia Ferraz e Vidal Haddad Junior. No documento, eles afirmam que "o mistério está resolvido", já que foi comprovada a existência de cerdas liberadas pelas mariposas do gênero Hylesia nos exames feitos.

Em imagens feitas com um microscópio, os dermatologistas encontraram as cerdas da mariposa na pele de pacientes. Esse material, segundo a nota técnica, pode permanecer na pele por dias e até semanas, causando a dermatite.

Uma das hipóteses investigadas foi a de escabiose, conhecida como sarna. Os pesquisadores consideraram que essa linha de investigação era "absurda" devido ao tipo de transmissão, à distribuição e aspecto das lesões e ao fato de que nenhum ácaro foi achado em muitas amostras de exame.

"Chegamos à conclusão, ao diagnóstico de dermatite causada por mariposas. Esse diagnóstico foi bem estabelecido pela própria característica das lesões, que se localizavam na área dos braços, área exposta, e também pela época do ano, em que ocorre uma proliferação natural das mariposas", disse a dermatologista Cláudia Ferraz.

Ferraz, que também é vice-presidente da SBD em Pernambuco e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apontou que as comunidades em que começaram a surgir os sintomas, na Zona Norte do Recife, reiteram o diagnóstico.

"'[São] comunidades que margeiam áreas de mata, como da mata atlântica, que é o caso dos locais que iniciaram esses surtos, ali na região da Guabiraba e de Dois Irmãos", explicou.

Ainda segundo a médica, as cerdas são liberadas pelas mariposas durante o voo e, assim, entram em contato com a pele, provocando uma reação alérgica com bastante irritação e muita coceira. Ela disse, ainda, que não é necessário o contato direto com o inseto para ser afetado. Basta o voo, que pode liberar as cerdas, levadas pelo ar.

"Esse voo costuma ocorrer à noite. Não é à toa que os pacientes relatam que essa coceira é mais intensa no período noturno e, além de caírem sobre a superfície da pele, podem ficar sobre móveis, sobre roupas, se ficarem em contato com essas mariposas", declarou Cláudia Ferraz.

Outro fator que ajudou os pesquisadores a fecharem o diagnóstico é o fato de não haver sintomas associados à coceira, como ocorre em quadros virais e de infecção. Não há dor de cabeça e mal estar, mas apenas a coceira, que pode durar entre sete e 20 dias, a depender da intensidade das erupções.

"O tratamento vai de acordo com intensidade dos sintomas. Lesões mais localizadas a gente geralmente conduz com a aplicação de medicações em creme, com corticoides, que têm poder anti-inflamatório, muitas vezes associados a anti-histamínicos, para reduzir essa coceira, e em casos muito acentuados, corticoides orais", disse a dermatologista.

Também é recomendado que os pacientes apliquem compressas frias nas lesões, mas que, principalmente, procurem unidades de saúde para receberem tratamento adequado. Não é recomendada a automedicação.

"Se houver a percepção de mariposas na área, a gente recomenda a colocação de panos úmidos sobre as superfícies para remover possíveis cerdas depositadas naqueles locais. Outra orientação que a gente chama a atenção, também, é que evitem matar as mariposas. Elas são fundamentais no ciclo biológico e para o próprio equilíbrio da natureza. A gente é quem está margeando o local da mata, então, vamos aprender a lidar com esses ciclos naturais do animal", afirmou.

 A Secretaria Estadual de Saúde informou que continua com a investigação junto aos municípios.

A Secretaria de Saúde do Recife enviou a mesma informação divulgada mais cedo, alegando que "os trabalhos de campo, monitoramento e investigação devem ser finalizados para que as informações coletadas possam ser sistematizadas" até o fim da semana.

"Com relação às causas deste surto, a Sesau informa que, até o momento, a hipótese mais forte é que os sintomas sejam provocados por uma mariposa da espécie Hylesia, cujas cerdas liberadas durante o voo deste inseto, podem ocasionar as lesões com coceira na pele. A Sesau reforça que a população não mate as mariposas, para evitar um desequilíbrio ambiental", disse no texto.

Recomendações

Mais cedo, a Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife reforçou o pedido para que os moradores da capital não se automediquem e procurem uma unidade de saúde para que um profissional da área faça o diagnóstico e trate adequadamente os sintomas.

Além disso, recomendou que as pessoas não matem as mariposas e que, se puderem, coloquem telas em casa e mantenham portas e janelas fechadas ao entardecer.

O hábito da mariposa Hylesia é de voar, principalmente, no fim de tarde. Com isso, também é recomendado diminuir luzes externas, não deixar roupas em varal ao entardecer, passar um pano com água nos móveis para evitar espalhar cerdas se estiverem lá e manter as mãos sempre limpas para evitar uma infecção secundária.

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